RIO: Cabral divide cela com aliados em Bangu 8

Todos do grupo, presos na 'Operação Calicute', tiveram os cabelos raspados no padrão seguido por internos e usam uniforme, segundo Seap

Ex-governador Sérgio Cabral Filho é fotografado como detento em Bangu com uniforme da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) Reprodução Internet

– ATUALIZADA ÀS CLARISSA SARDENBERG E PAOLA LUCAS

Rio – Preso nesta quinta-feira, Sérgio Cabral divide a cela de 16 metros quadrados no Complexo Penitenciário de Gericinó, Bangu 8, nesta sexta-feira com seu aliados acusados no desfalque de R$ 224 milhões dos cofres públicos. Estão com o ex-governador no presídio inaugurado em sua gestão, divididos em três beliches: o ex-assessor Paulo Fernando Magalhães Pinto, os operadores José Orlando Rabelo e Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, o ex-secretário de obras e ‘braço direito’ de Cabral Hudson Braga e Luiz Paulo Reis, que atuava como laranja do então secretário.

De acordo com a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), não há impedimentos para que os mesmos, presos na “Operação Calicute”, fiquem na mesma cela. Ainda segundo a administração, todos do grupo tiveram os cabelos raspados no padrão seguido pelos internos e usam uniforme.

Cabral recusou jantar na noite desta quinta-feira — um cardápio que incluía macarrão, feijão, legumes, carne e refresco — mas tomou café da manhã, pão com manteiga e café com leite. Segundo a Seap, ele passa bem.

Sérgio Cabral foi recebido com festa, que incluiu queima de fogos de artifício e espumante, ao entrar no presídio. A comemoração foi promovida por bombeiros que o esperavam na portaria do local desde que souberam da sua prisão pela Polícia Federal na manhã desta quinta.

Ele foi preso na “Operação Calicute”, uma ação conjunta da força-tarefa da Operação Lava Jato no estado do Rio com a Operação Lava Jato no Paraná. Foi descoberto pelo Ministério Público Federal, através de delações de executivos da carioca Engenharia e da Andrade Gutierrez, que ele cobrava uma mesada milionária de empreitas.

“O esquema consistia numa cobrança de mesada feita pelo ex-governador. As licitações eram fraudadas e eram realizados esses pagamentos, que ocorreram entre 2007 e 2014”, afirmou o procurador. Da Andrade Gutierrez vinham R$ 350 mil e da Carioca Engenharia R$ 200 mil, no primeiro mandato e R$ 500 mil, no segundo.

“Basicamente, nesses depoimentos foi relatado um esquema que consistia na cobrança de propina na reforma do Maracanã (R$ 1,05 bilhão), Arco Metropolitano e Pac das Favelas.” No total, foram gastos mais de R$ 3 milhões.

De acordo com o MPF, além da taxa de 5% cobrada por Cabral às empreiteiras, havia uma taxa de 1% denominada “taxa de oxigênio” destinada à Secretaria de Estado de Obras.

Também foram presos Wilson Carvalho (ex-secretário de governo de suas duas gestões); Hudson Braga (ex-secretário de obras), e mais sete participantes do esquema. Cabral, os ex-secretários e cinco dos acusados tiveram prisão preventiva, por tempo indeterminado, decretada. Um deles é Carlos Bezerra, amigo de infância de Cabral e assessor do ex-presidente da Assembleia Legislativa Paulo Melo.

Segundo as investigações, Bezerra pagou contas, com dinheiro ilícito, do círculo familiar do ex-governador. No processo, pelo menos três pagamentos estão listados: as faturas do cartão de créditos da mãe dele, Magaly Cabral, e para o cachorro-quente na festa do filho de Cabral – uma compra no valor de R$ 1.070. A polícia encontrou transferência de 10 mil euros para Susana Neves, ex-mulher dele, e de R$ 30 mil para Adriana Ancelmo, sua atual esposa.

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