CORONAVÍRUS – Ministério alerta para transmissão comunitária; aumento de casos pode gerar colapso no Sistema de Saúde

Balanço mostra aumento no número de casos confirmados em todo o país

NurPhoto/Getty Images

O avanço na proliferação do novo vírus, ocasionando aumento do número de casos confirmados da doença, tem causado preocupação e, por que não, sobrecarga ao Sistema de Saúde.

Na última sexta-feira, 20, o Ministério da Saúde anunciou, por meio de uma portaria, que todo o território nacional está sob o status de “Transmissão Comunitária” do coronavírus (Sars-Cov-2).

Mas o que seria essa transmissão comunitária? Vamos entender!

A transmissão, também conhecida como sustentada é quando não é possível rastrear a origem da infecção, indicando que o vírus circula entre pessoas que não viajaram ou tiveram contato com quem esteve no exterior.

Até o balanço de quinta-feira (19), a transmissão comunitária estava configurada nos estados de São Paulo e de Pernambuco. Além disso, ocorre isoladamente em três capitais: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre (além das capitais de SP e PE, já incluídas acima).

Vale destacar que a declaração de estado de transmissão comunitária não significa que todos os estados e cidades tenham essa modalidade de transmissão.  Os estados de Roraima e Maranhão ainda não tiveram casos confirmados.

Diante de toda a situação o sistema brasileiro de saúde tem suportado uma imensa demanda. Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, os casos da doença devem disparar em abril e a previsão de queda é só para o mês de setembro. Assim, o sistema de saúde pode entrar em colapso.

Em outra entrevista, Mandetta tentou esclarecer que o Colapso se referia a situação de “quando você tem dinheiro, mas não tem onde entrar (nos hospitais)”, explica.

O Ministro ressaltou que problemas nos sistemas de saúde, como emergências superlotas, existes no mundo todo. “O SUS é forte, tem capilaridade nacional e conta com 46 mil equipes de saúde de família, que atendem milhões de brasileiros”, conclui.

Atestado e isolamento

A portaria também oficializa recomendações que o Ministério já tinha detalhado na quinta, 19. O “isolamento domiciliar” de quem tiver “sintomas respiratórios” e daqueles que moram com ela deve ser de, no máximo, 14 dias”. Também determina que o atestado emitido pelo profissional médico que determina a medida de isolamento será estendido às pessoas que residam no mesmo endereço.

O texto também traz uma recomendação aos idosos:

As pessoas com mais de 60 (sessenta) anos de idade devem observar o distanciamento social, restringindo seus deslocamentos para realização de atividades estritamente necessárias, evitando transporte de utilização coletiva, viagens e eventos esportivos, artísticos, culturais, científicos, comerciais e religiosos e outros com concentração próxima de pessoas” – Portaria n° 454

Casos pelo Brasil

Os casos confirmados de Covid-19, doença infecciosa causada pelo coronavírus Sars-Cov-2, aumentaram 45% entre quinta (19) e esta sexta-feira (20), de acordo com dados do Ministério da Saúde. O mais recente balanço federal aponta que o Brasil tem 904 casos e 11 mortes. O total de mortes subiu mais de 80% entre os dois balanços.

Casos Confirmados

O número de estados com casos confirmados era de 21 na quinta e na sexta subiu para 25. Somente Roraima e Maranhão permanecem sem casos confirmados. Quanto às regiões, todas apresentaram aumento de casos.

O Sudeste tinha 391 casos e agora tem 553. O Nordeste tinha 110 e passou para 134. O Norte foi de 8 para 15. No Centro-Oeste, os casos passaram de 61 para 112. Por fim, o Sul tinha 71 e agora tem 90 casos.

Cloroquina

O ministro da Saúde afirmou que o país “já validou” e está fornecendo a cloroquina, medicamento que mostrou resultados promissores em testes para tratamento contra a covid-19, para pacientes mais graves.

“Já validamos, temos capacidade de produção, já estamos produzindo e está na prateleira dos pacientes graves”, disse.

O medicamento é registrado no Brasil para tratamento de artrite, lúpus e malária. Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que, apesar dos resultados dos testes em relação a nova doença, “não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento”.

Outras medidas

O governo e o setor de saúde têm tentado encontrar soluções para montar novas estruturas de atendimento. Até agora, o governo só anunciou a contratação de equipamentos para montar 2 mil leitos.

Nesta sexta-feira, 20, o ministério publicou portaria para custear — diária de R$ 800 — 2.540 leitos, que são a soma do previsto até aqui pelo governo Bolsonaro e o já instalado pelos governadores.

O governo ainda deve contar com 700 mil médicos a serem convocados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). E pediu que os 2 mil médicos voluntários se apresentem aos conselhos regionais para serem convocados.