PREJUÍZO – Pandemia pode afetar mais de 5 milhões de empregos

Com o avanço do coronavírus, comércio registra aumento no número de demissões

Imagem da Internet

É, a coisa está feia! A chegada desse novo vírus vem ocasionando diversos prejuízos ao comércio brasileiro. Em meio aos decretos para fechamento de shopping centers e outras lojas do setor, na tentativa de conter a proliferação do covid-19, os empresários e varejistas refazem as contas, tentando renegociar contratos e prorrogar pagamentos à fornecedores, mas futuras demissões tende a ser inevitável.

Estimativas de entidades patronais, como a Associação Brasileira das Lojas Satélites (Ablos), que reúne as lojas maiores dos shoppings, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), falam em até 5 milhões de desempregados no comércio pelo país, até o fim de abril.

Segundo Paulo Solmucci, da Abrasel, os empresários já vêm de um longo período de vendas fracas e não têm, neste momento, caixa para manter impostos, aluguel de ponto e folha salarial com os empreendimentos fechados. “A situação já estava péssima, agora ficou dramática”, diz.

“Eu mesmo vou demitir cerca de 40% dos meus funcionários a partir da semana que vem”, diz Bessa Júnior, da Ablos, que também é dono da rede TNG, com 170 lojas e 1,6 mil funcionários. “Acabei de encerrar o contrato com a empresa de limpeza, hoje [ontem, quinta-feira], já cortei o pessoal que presta serviço para o TI e, na semana que vem, vou ter de dispensar 500 pessoas das operações das lojas”, concluiu.

O advogado Leonardo Tavano, que atende a grupos como Vivara, Cinemark, Etna e Restoque (dona das marcas Le Lis Blanc, Dudalina, John John), diz que a equipe trabalha sem parar nas últimas 72 horas preparando demissões e alternativas, como redução de jornada de trabalho de 25%, férias individuais e coletivas.

Para o economista Claudio Felisone de Angelo, coordenador do programa de administração de varejo da FIA, os comerciantes não têm outra alternativa a não ser reduzir o quadro de funcionários. “É uma decisão muito dura, mas é isso ou quebrar.”

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